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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

LAURA LIMEIRA



A PONTE


Chegamos atrasados para o espetáculo do por-do-sol.
Aquele amarelo-ouro já ía sumindo com o seu brilho
enquanto a noite descia, negra, sobre “a ponte”.
Diante daquele mar barulhento, de águas azuis,
ficamos a admirar o horizonte longínqüo…
Alí, abraçados a namorar, fomos assistidos pela natureza
e permanecemos na cumplicidade mágica daquele
tapete de madeira e ferro, por um tempo inesquecível…
A brisa fresca acariciando a nossa pele;
O vento forte soprando nos meus cabelos;
O navio ao longe, naufragado…
Gente que ía e vinha, a passeio…
Casais que ora beijavam-se, ora davam-se às mãos e
entregavam-se em abraços carinhosos;
O barulho das ondas quebrando nas pedras…
Ah, quantas saudades que sinto de tudo…
Do por-do-sol que não vimos;
De tudo o mais que poderíamos ter vivido e não vivemos;
Da quentura das tuas mãos a segurar as minhas;
Dos nossos beijos ardentes, prolongados, apaixonados;
Saudades, só saudades…
Da tua essência em mim que se impregnou;
Desse amor sem tempo nem idade;
Dessa certeza que me deste de ser tão amada;
De enxergar em nós tamanha igualdade;
Saudades do estar contigo…
Simplesmente!


Biografia  
Pernambucana do Recife, nasceu a 28 de Dezembro de 1950 .   Aqui    poderão encontrar a poetisa e alguma da sua obra.
Espero que vos agrade

 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

HELENA BANDEIRA


Reprodução do quadro "Guernica"  Foto retirada da net

A HUMANIDADE ESTÁ EMPOBRECENDO..

A lealdade do cão
vai directa para o seu dono.
Esse mesmo cão
luta com o independente gato
que persegue o esperto rato...
Sempre haverá lutas desiguais
entre todos os animais...
Poderá não estar à vista
um objectivo para a luta,
mas os instintos de disputa
em todos os casos são iguais.
No género humano não difere.
Por ínfimas diferenças,
geram-se desavenças...
Não interessa quem se fere!
Fomentam-se duras guerras
pela defesa de ideais ou de terras...
São lutas entre cidadãos,
entre homens, todos irmãos...
Disputas no seio das famílias
sem respeito, nem por homilias...
É a insânia
e a ganância.
É a incongruência
do ser definido por humano,
mas que muito tem de profano,
e que, por refinada inconsciência,
manifesta e exerce sem pejo
a sua ferocidade,
a sua perversidade,
sempre para isso urdindo ensejo...
É o homem contra o homem,
seu semelhante, seu igual,
insistindo com crueldade
em querelas vazias e desconexas,
por vezes sem termo e sem limite,
mas sempre cruéis e complexas.
É o homem, dito 'ser racional,'
que comete e desenvolve baixezas
com todo o à-vontade...
Que com grande naturalidade
desce a inomináveis profundezas
onde talvez não desça o 'irracional'!
O Homem nasceu para crescer.
Para seu corpo e espírito engrandecer
como um ser harmonioso e impoluto.
Mas neste mundo insano e corrupto
se muito cresce,
mais ainda desce...
O Homem que não se enobrece,
a própria Humanidade empobrece!
Porque desconhece a clemência,
desdenha da benevolência
e jamais cultivou o Amor!

Desvirtua o género humano
ao se tornar desumano...

ENVERGONHA E ATRAIÇOA
O SEU CRIADOR!...

biografia:

. A poetisa possui ainda um blog que poderão visitar Aqui

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MARIA MAMEDE



Já aqui falei de Maria Mamede, uma mulher do norte, apaixonada pela sua terra e excelente poetisa. Não vou por isso repetir-me, quem não viu, basta escrever o nome na barra de pesquisas ao lado para ser direccionada ao post anterior.
O que me faz falar dela hoje é dar-vos a conhecer o lançamento do seu novo livro.
Quem estiver por perto, não deixe de ir. Vai ver que não se arrepende.

BOA SEMANA PARA TODOS

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ROSA DIAS


Ceifeiras !
Jamais!
Há um cante envolto em pranto, que lembra um tempo sem volta!
Mas que vai ganhando um outro encanto, pondo de lado a revolta!
Nossos pais sofreram tanto, nossos avós ainda mais!
Nós, nós fugimos a esse pranto, p’ra não ouvirmos seus ais
Homem que foi terra foi barro, em pleno campo criado
Comeu as sopas no tarro, levou aos ombros seu fardo!
Vamos olhar de outro jeito, o progresso em caminhada
Para aliviar o peito, desta gente amargurada!
Nossos campos ainda lá estão, as searas até o gado
Mas ceifeiras, essas não, foram escravas do passado!
Ainda o sobreiro dá sombra, e a cortiça que é riqueza
Arvore que a todos deslumbra, de raiz bem portuguesa...
Ainda há regatos correndo, e há ribeiras naturais
E a chuva que Deus vai mandando, p’ra dar vida aos cereais!
Ainda se ouvem cantar os rouxinóis na ribeira
Os pardais; a chilrear em alegre cavaqueira.
Ainda há lírios, alecrim, papoilas, planícies de trigais
Codornizes, perdizes rolas, mas as ceifeiras? Jamais…
Alegra-te meu amigo, olha a alvorada, outro dia
Anda vem cantar comigo as cantigas d’álegria
Saudades sim porque não, mas passado nunca mais
Pois marcou uma geração de dores misérias e ais
O mundo está em mudança, hoje a vida tem outro fado!
Nova canção! Outra dança!
Pois o passado é passado...

Rosa Dias


Biografia

Joaquina Rosa Pedreiro Guerreiro Dias, mais conhecida por Rosa Dias, nasceu em Elvas na maternidade Mariana Martins, em 26-9-1947.
 Sendo baptizada e registada em Campo Maior Vila de concelho, do alto Alentejo, onde cresceu e frequentou a escola primária do Bairro Novo, e onde completou a quarta classe. Logo que saiu da escola começou a trabalhar numa torrefacção de Café, pertencente ao Sr. João Ensina, onde começou a ganhar 25 tostões por dia, e onde esteve pouco tempo, pois logo começou a trabalhar como empregada doméstica, vindo aos 13 anos para Lisboa, onde continuou no mesmo ramo.
Conheceu o seu grande amor com quem viria a casar aos dezassete anos e com quem ainda vive até aos dias de hoje.

Mais Aqui

Podem também visitar o blogue da poetisa  Aqui
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