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sábado, 21 de novembro de 2009

CARLA DIAS


Bebi... sim...

de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.

Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.

Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.

Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.

Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.

Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.

Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.

Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.

Perder...


Biografia

No site da escritora encontrará uma extensa biografia escrita pela própria. AQUI

Foto recebida por email.

domingo, 15 de novembro de 2009

UMA MARIA



Sinto-me apanhada
Pela fantasia da vida.
Germina dentro de mim
A possibilidade de caminhar
Com os pés desnudados,
Deixar o cabelo ao vento
Desprovido de laços ou enfeites
E o peito arregaçado
Até à ternura.
Levanto a saia
Até à cintura,
Entrego-me a esta areia
Branca
Molhada
E rebolo o corpo,
A alma
Até à borda do mar.


Quem se importa comigo?
O homem de cigarro no canto da boca
de olhar esvaziado?
O velho agarrado ao seu bastão
Que caminha junto ao paredão?
Talvez a Maria
Que se aproxima
E vê outra mulher
Que jaz na areia molhada
À espera que o Mar a venha buscar.

Maria José Areal.


Maria José Areal já faz parte da galeria de mulheres-poetas deste blogue. Poderão encontra-la com facilidade pela barra de pesquisas da sidebar.
Não é meu hábito fazer repetições, por muito que goste da autora em questão, a não ser se houver um facto especial. Uma blogagem colectiva, o lançamento de um novo livro etc.
Desta vez estou repetindo Maria José Areal, porque a autora teve a gentileza de me oferecer através de uma sua familiar, a dois dos seus livros de poesia. "À DERIVA" de onde saiu "Uma Maria" e "Sabor a Sal e a Mel" dois livros que aconselho vivamente a quem gosta de poesia.
À autora e à , o meu muito obrigada

A QUEM POR AQUI PASSA, RESTO DE BOM DOMINGO E UMA BOA SEMANA

domingo, 8 de novembro de 2009

HELENA KOLODY


Sonhar


Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.


Helena Kolody nasceu em 1912, em Cruz Machado, Paraná, no dia 12 de outubro. Filha de Miguel e Vitória Kolody, dois imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil.
Helena passou a infância na cidade catarinense de Três Barras, segundo uns, na cidade de Rio Negro segundo outros. Em 1926, concluiu o curso de guarda-livro e, no ano seguinte, mudou-se com a família para Curitiba, onde residiu até sua morte. Em 1928, publica seu primeiro poema, "A lágrima". Em 1931, conclui o curso da Escola Normal Secundária. No ano seguinte iniciou uma brilhante carreira no magistério, paixão que só dividiria com a poesia. Em 1941 publicou a primeira obra, "Paisagem interior", que seria seguida por outros treze títulos. Já nesta obra de estréia constavam três haikais, algo raro à época. Estava presente em seu projeto poético esta busca, como disse mais tarde, "da síntese para traduzir o pensamento". Em 2001, foi publicado o livro "Viagem no Espelho e vinte e um poemas inéditos", pela Criar Edições, de Curitiba, Paraná (PR). Essa edição comemorou os 60 anos da publicação de seu primeiro livro.

Outras obras da escritora:

Música submersa (1945)
A sombra no rio (1951)
Vida breve (1965)
Tempo (1970)
Infinito presente (1980)
Poesia mínima (1986)
Ontem, Agora (1991)
Reika (1993)
Caixinha de música (1996)
Poemas do amor impossível (antologia - 2002)

Biografia da net

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TERESA RITA LOPES

Foto de Luís Araújo Pinheiro

Os apanhadores de conquilhas


Uma família inteira
a apanhar conquilhas

É o pai é a mãe
é os filhos é as filhas

todos acocorados
na sôfrega função

O gotejar do tempo
é coisa que angustia

se não conduz a nada
se não enche vasilha

por isso esta família
sente que cumpre o dia

se ouvir dentro do plástico
o gluglu da conquilha

E eu que sempre apanhei
conchas mas sem miolo

neste imenso areal
desde os confins da infância

tenho que me render
ao triste desconsolo:

até estas gaivotas
só andam à ganância:

cada vez que mergulham
trazem peixe no bico!

E pensar que cantei
a esbelta liberdade

de suas brancas asas!
Por hoje aqui me fico

sofrendo em solidão
esta crua verdade:

Não há gestos gratuitos
por mais que diga ou faça

famílias ou gaivotas
a cada um seu isco

em serviço ou em férias
nenhum voo é de graça

só entendem o mar
se produzir marisco

Mas e eu que faço eu
a pé por estas ilhas

com ar de quem levou
uma pedrada na asa

senão catar também
umas tristes conquilhas

estas rimas forçadas
que vou levar para casa?!

Teresa Rita Lopes


Biografia


Nasceu em Faro, em 1937. Viveu 13 anos em Paris onde foi professora na Sorbonne e defendeu a tese de doutoramento "Fernando Pessoa et le drame symboliste – héritage et création". É professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa.

Teresa Rita Lopes é um dos maiores especialistas contemporâneos em Fernando Pessoa, tendo centrado o seu trabalho académico na obra deste poeta e dedicando-se especialmente à divulgação da parte inédita da sua obra.

Dirige um grupo de investigadores que produziu várias obras, nomeadamente um guia de Lisboa, escrito por Pessoa, com traduções em várias línguas (espanhol, francês, italiano e duas em alemão).

Das obras produzidas individualmente em português destaca-se Pessoa por conhecer (2 volumes, mais de 400 inéditos) e uma edição crítica: Álvaro de Campos – Livro de Versos (mais de 80 poemas inéditos).

Organizou várias exposições sobre Fernando Pessoa, em Espanha (inauguração em Madrid, itinerante por toda a Espanha), no Brasil (inaugurada em S. Paulo, depois itinerante) e em França (Paris, Centre Pompidou – Beaubourg).

Tem-se dedicado à obra de Miguel Torga, sobre a qual tem vários ensaios. Tem além disso colaborado regularmente em várias publicações literárias portuguesas e estrangeiras, quer no domínio do ensaio, quer da poesia.

Dedica-se à poesia, tendo três livros publicados e, regularmente, a teatro.

Tem peças publicadas e representadas em Portugal e no estrangeiro: França, Bélgica, Itália, Roménia, Alemanha. A sua peça Se Mentes (Wenn du lügst – Samen) foi escolhida para representar Portugal no Festival de Autores de Teatro na Bonner Biennale 94 – e posteriormente representada em Munique e em Roma.

Dona de vasta obra em vários campos, que poderá consultar no site de onde retirei a biografia.

Biografia retirada DAQUI