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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

                                  
MAR

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.



 6 de Novembro de 1919
No centenário do seu nascimento, o mar que ela tanto amou


sábado, 29 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN




AUSÊNCIA


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



PUDESSE EU


Pudesse eu não ter laços 
nem limites
Ó vida de mil faces 
transbordantes
Para poder responder 
aos teus convites
Suspensos na surpresa 
dos instantes!


APESAR DAS RUÍNAS


Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - LIBERDADE


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Vamos continuar com Sophia de Mello Breyner Andresen até 2 de Julho data do Aniversário da sua morte.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - AS ROSAS

 Continuamos com Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen


As rosas


Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.



Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Obra Poética", Ed Caminho, Lisboa, 2010

quarta-feira, 5 de junho de 2019

A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Continuando a série de Sophia de Mello Breyner Andresen


A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço, de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ter melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos

quarta-feira, 29 de maio de 2019

POEMA - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



POEMA


A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
O quadrado da janela
O brilho verde de Vésper
O arco de oiro de Agosto
O arco de ceifeira sobre o campo
A indecisa mão do pedinte
São minha biografia e tornam-se o meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
in, “Geografia”

quarta-feira, 15 de maio de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN




Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto' 


Comecei este blog, no dia 29 de Abril de 2008, precisamente no dia em que o Sexta fazia o seu primeiro ano, exatamente com Sophia de Mello Breyner Andresen, e o poema Mulheres à beira-mar. Aqui
Porém e como este ano se comemora o primeiro centenário do seu nascimento, volto à poesia que até Novembro ainda vai por aqui aparecer mais vezes.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



.

Sophia, foi a poetisa com que abri este espaço. Podem ver AQUI
Então porque repetir? Porque me apeteceu, e porque sei que nunca é demais ler Sophia de Mello Breyner.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN


 UM DIA


Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.








Sophia de Mello Breyner Andersen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919. Se fosse viva faria hoje 95 anos. Para assinalar a data, a Porto Editora, vai reeditar o livro de poesia "Dual" e o conto "A noite de Natal".  

terça-feira, 29 de abril de 2008

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Porque me parece importante o papel da mulher na literatura, especialmente na poesia, resolvi criar este blog, onde apenas se falará de poesia no feminino. E para começar, escolhi, um dos maiores vultos da poesia portuguesa.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Mulheres à beira-mar

Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longa
mente a virgindade de um mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.


Sophia



Sophia de Mello Breyner Andresen
(1919-2004)

Nasceu no Porto, frequentou Filologia Clássica em Lisboa e publicou a sua primeira recolha poética, Poesia, em 1947.
A sua escrita, tensa e contida, constrói-se em volta do mar, quer do mar do destino português, quer do mar da Grécia Clássica, a cuja mitologia, Sophia foi buscar muito do material sobre o qual levantou uma obra ímpar, quer na poesia contemporânea portuguesa, quer na literatura para a infância.
Ao carácter excepcional da sua obra acresce ainda a grande exigência moral que a poetisa sempre revelou e que a tornou numa figura cívica incontornável no Portugal anterior e posterior à instauração da democracia.

(texto de José Fanha e José Jorge Letria)