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terça-feira, 16 de setembro de 2014

ANTONIELLA DEVANIER






PEDIDOS DO CORPO



O corpo pede um drink:
pode ser martini
Na manhã que chega,
estranha e solitária,
sou mulher também.
Mas, ontem à noite,
o corpo pediu um toque
da língua, nos gelos
que estavam
perdidos no copo.





Biografia  AQUI

domingo, 7 de setembro de 2014

MARIA ISABEL BARCELOS

a menina sabe que
nenhum olho existe fora de um rosto

não quer ver o barco
também ele existe fora do mar

quer desenhar um sol
mas não se recorda do lugar onde guardou a caixa
dos lápis de cor

a menina está triste e não está triste
todo o lugar é um não-lugar
todas as coisas andam perdidas ou talvez não andem perdidas
e se tenham encontrado noutro lugar que elas ainda não conhecem

nesse outro lugar o sol está á espera
da caixa dos lápis de cor e da menina

onde fica o lugar do sol?
a criança abre os braços e imagina muitas crianças alegres a saltar,
com os braços abertos, e quem salta mais alto chega ao lugar do
sol mas eu só quero chegar à minha mãe.

Maria Isabel Barcelos


Biografia

Nasceu no Funchal em 1958. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.
Prémio Revelação da Literatura Infantil da APE. Obteve a Bolsa de Criação Literária em 2001 do Ministério da Cultura, na modalidade de poesia.
É professora do ensino secundário e divulgadora de poesia e literatura infantil em escolas.

sábado, 23 de agosto de 2014

DORA FERREIRA DA SILVA

Boneca



A boneca de feltro
parece assustada com o próximo milênio.
Quem a aninhará nos braços
com seus olhos de medo e retrós?

O signo da boneca é frágil
mais frágil que o de pássaro.
Confia. Assim passiva
o vento brincará contigo
franzirá teu avental
dirá coisas que entendes
desde a aurora das coisas:
foste um caroço de manga
uma forma de nuvem
ou um galho com braços
de ameixeira no quintal.

Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim.
Para ser embalada nos braços
da menina que houver.



Biografia DAQUI




Poeta e tradutora de Rilke e de Hölderlin, entre outros. Faleceu na tarde do dia 06/04/2006, aos 87 anos, em São Paulo-SP, onde morava.
 

" Dora tem uma longa trajetória de mais de 50 anos dedicados à poesia. Autora de livros como Andanças, Talhamar, Retratos de Origem, Poemas da Estrangeira e Hídrias. Foi três vezes ganhadora do Prêmio Jabuti. Recebeu também o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2000, por sua obra Poesia Reunida, editado pela Topbooks.

Como tradutora, destacam-se seus trabalhos com autores como Rilke, Saint-John Perse, San Juan de la Cruz, Hörderlin e Jung. Também atuou como editora, fundando a revista Diálogos, juntamente com seu marido, o filósofo Vicente Ferreira da Silva. Depois, criou a revista Cavalo Azul, para difusão da poesia. Atualmente, funcionava em sua casa, um Centro de Estudos de Poesia com o mesmo nome.

Dora conquistou o Prêmio Jabuti 2005, um dos mais prestigiados da literatura brasileira, com o livro Hídrias."

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

MARIA ERMELINDA MORGADO




                                                                 Foto do Google


HÁ DIAS ASSIM


Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em

 concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é 
tanto.
Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que

 nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao 
longe o mar.
Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. 

Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de
quem dorme na rua.
Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho 

nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama.
Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me 

de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio 
sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E 
fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, 
o mar és tu...




Maria Ermelinda Morgado, é o nome da autora, conhecida na blogosfera por Maria Morgado, que acaba de publicar o seu primeiro livro de poesia.  "Mar de Abril" editora Lua de Marfim do qual vos deixo este poema.


Aqui podem encontrar o blogue da autora.

domingo, 13 de julho de 2014

YOLANDA MARAZZO


Barcos


"Nha terra é quel piquinino
É São Vicente é que di meu"
Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.
Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.
E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...

E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...




Biografia daqui

Yolanda Marazzo Lopes da Silva, poeta e escritora de língua portuguesa, nasceu em São Vicente, Cabo Verde,  África, a 16 de Dezembro de 1927.  Ao 15 anos, 1943, partiu para Lisboa, onde completou o estudos no Liceu Rainha Dona Leonor. É diplomada com o curso superior de Francês e o curso superior de Moderna Literatura Francesa, da Alliance Française e com o curso de Ingês do Instituto Britânico. Em 1958, parte para Angola acompanhando o marido e aí permanence no período convulso da guerra colonial, de 58 a 68. Findo esse tempo foi vver para Luanda onde lecciona no ensino particular, trabalhando ao mesmo tempo na Embaixada da Jugoslávia.
Neta de José Lopes, um dos maiores e mais cultos poetas de Cabo Verde, cedo revelou a sua poesia, tendo feito parte do Grupo do Suplemento Cultural, juntamente com Gabriel Mariano, Aguinaldo Fonseca, Ovídio Martins, Carlos Alberto Monteiro Leite e Francisco Lopes da Silva.
Colaborou em Lisboa no Artes e Letras do Diário de Notícias, no República e em periódicos angolanos, como Província de Angola, Jornal de Lobito e Notícias.
Figura nas seguintes Antologias: Modernos Poetas de Cabo Verde; Portugalidade; Mulheres e a Sensbilidade Portuguesa; Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa
Publicou: Cântico de ferro, Lisboa, 1976. Em 2006 a Casa da Moeda, em Portugal, publicou a sua Poesia completa 1954-2004.

Faleceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 2009, vitima de doença prolongada 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MANUELA MARGARIDO


                             foto da net


Roça

A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.

A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;

capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.

E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto

há-de realizar.

Biografia

Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido (roça Olímpia, Ilha do Príncipe, 1925 - Lisboa, 10 de Março de 2007) foi uma poetisa são-tomense.

Manuela Margarido cedo abraçou a causa do combate anti-colonialista, que a partir da década de 1950 se afirmou em África, e da independência do arquipélago. Em 1953, levanta a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa.
Denunciou com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.

Estudou ciências religiosas, sociologia, etnologia e cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.

Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé e Príncipe.

Fonte: Wikipédia

sábado, 21 de junho de 2014

ANA DE SANTANA



NÚPCIAS


Penetro
esse colchão de cristal,
e
um lençol de mar
me envolve
tecendo o meu vestido raro,
                                      espuma e sal.
Interrompo estas núpcias com o coral,
vem-me o mavioso murmurar
das palmeiras pela brisa

será que não aprovam?


Biografia

Poetisa angolana, Ana Paula de Jesus Faria Santana nasceu a 20 de Setembro de 1960, em Luanda (Angola).
Completou o curso de Ciências Económicas na Universidade de Lisboa e, em 1985, ingressou na União de Escritores Angolanos. A poetisa publicou, em 1986, Sabores, Odores e Sonho .


Biografia extraída de: www.infopedia.pt

domingo, 8 de junho de 2014

ELISA LUCINDA


DA CHEGADA DO AMOR

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.



Do livro "Eu Te Amo e Suas Estreias"

Elisa Lucinda, é uma mulher de vários talentos. Jornalista, escritora, onde tem vários e variados livros, desde poesia,  histórias infantis, e contos. É também atriz, tendo participado em novelas e cinema. AQUI a sua biografia.



sábado, 26 de abril de 2014

INÊS LOURENÇO



 foto daqui




  Rua de Camões

 A minha infância
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha mãe

Ao fogão a carvão
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustentáculo da mansarda
obstáculo da perspectiva

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas tão incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam lá em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imutável expressão

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

Não olhes para os rapazes
que é feio.

Inês Lourenço, in 'Cicatriz 100%'



Biografia 


AQUI

pode encontrar não só a biografia da autora como vários dos seus poemas.   





domingo, 30 de março de 2014

GRAÇA PIRES


As Palavras Pesam


As palavras pesam.
Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas,
Do quotidiano entrincheirado entre compromissos,
Das tramas afetivas, do exílio anunciado
No andar inquieto das mulheres.

De rosto em rosto, a caligrafia do amor
implorou a memória das palavras encantadas
e, como se houvesse uma linguagem
de atravessar o tempo, acenderam,
sobre os dias, constelações sonoras.
Mas eu, que não adiro aos calendários
nem acredito em vogais prometidas,
eu parti, de punhos febris,
enlaçando nos braços
um futuro marginal, a qualquer lógica.
A posse da noite, onde me quero lua em todas as fases,
leva-me a glosar os medos num novelo de rimas imperfeitas.
A cidade tem pombas que me perseguem sem eu dar por isso.
Tenho um aqueduto modelado nos olhos
e um dilúvio vermelho no desenho do peito.
 

 Graça Pires, in   Poemas Escolhidos


Biografia
Graça Pires nasceu na Figueira da Foz a 22 de Novembro de 1946. É licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mais informações AQUI

domingo, 23 de março de 2014

MARIA JUDITE DE CARVALHO





 As portas que batem
nas casas que esperam.
Os olhos que passam
sem verem quem está.
O talvez um dia
Aos que desesperam.
O seguir em frente.
O não se me dá.

O fechar os olhos
a quem nos olhou
O não querer ouvir
quem nos quer dizer.
O não reparar
que nada ficou.
Seguir sempre em frente
E nem perceber.


Maria Judite de Carvalho

Biografia AQUI


terça-feira, 18 de março de 2014

YVETTE K. CENTENO



MULHER

Quando o ventre é o mar
quando o ventre é a água
salgada
numa boca
quando o ventre é a fonte
quando o ventre é a forca




 A autora tem 3 blogues. Os endereços estão no site da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim onde poderão ler também a sua biografia.       AQUI

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

JESSICA NEVES





HINO AO DESEJO E À FANTASIA

Cai a noite de mansinho, nua
Em pleno olhar de lua cheia
Agridoce tentação, minha e tua
Adivinhando a última ceia...

Contorno traço a traço o teu rosto
Dos teus lábios de mar, provo o sal
Sinto a ondulação, saboroso mosto
Des(a)pertando o toque celestial...

De asas acetinadas, somos anjos nus
Clamando o hino ao desejo e à fantasia
Diamante lapidados sem tabus
Em noite mágica, recital de poesia...

Troncos suados no cais do prazer
Soprando alto a mais pura paixão
Poema-explosão, sede de pertencer
De quem se quer em êxtase-união!

Afogados a meio da estrela sírio
Nossos corpos mornos, estremecidos
Ancorados um ao outro, em delírio
Exaustos, poeticamente rendidos...

Desvendando segredos ao ouvido
Nu(m)a explosão sem amanhã
Desatam-se as fontes em vagido
Com aroma a canela e hortelã!

Jessica Neves


Biografia

Com menos de 20 anos, Jessica Alexandre Raimundo Neves, nasceu a 8 de Março de 1994, é não uma promessa mas já uma certeza na literatura portuguesa. Natural de Coimbra, descobriu o gosto pela poesia aos 17 anos, mas tem já um livro publicado,  "(Sem) Papel e Caneta (Com) Alma e Coração" da Chiado Editora, várias participações em antologias de poesia, como a "Audaz Fantasia" da UniVersos ou "entre o sono e o sonho" da Chiado Editora. Já ganhou também alguns concursos de poesia.  Aqui
encontram o seu blogue. Vão até lá e verão que não se arrependem





domingo, 14 de julho de 2013

VERA SOUSA



 SAUDADE


Queria ser um perfume que paira no teu abraço,
musa dos teus sonetos.
Queria ser a boia que paira à tona de água
e a liberdade que apazigua o meu sonambulismo de escritora
extasiada pelos chás da emoção.

Quando tenho saudades,
a dor perdura
e os meus olhos clamam pelo brilho intenso
de ver uma alma rejuvenescer.

O que será a minha saudade
sem o tom brilhante das notas tocadas e trocadas?
O que será a minha saudade
sem o êxtase da tua respiração e o pulsar do coração?

A saudade é a distância camuflada
enclausurada por entre janelas enfeitadas
por cortinas desanexadas pela alma
e pelos sorrisos bordados que aparecem
quando se observa de perto o rosto que se procura,
o cheiro e os beijos
entre silhuetas mentais perfumadas pela imaginação.

Vera Sousa
 

Aqui o site da escritora onde pode encontrar a sua biografia.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ORIDES FONTELA

 

PRECE
Senhora
das feras
e esferas
Senhora
do sangue
e do abismo
Senhora
do grito
e da angústia
Senhora
noturna
e eterna
— escuta-nos!



A ESTRELA PRÓXIMA

A poesia é
 
impossível
 

o amor é mais
 
que impossível
 

a vida, a morte loucamente
 
impossíveis.

 

Só a estrela, só a
 
estrela
 
existe

- só existe o impossível.

BIOGRAFIA

Aqui  encontrarão a biografia da autora bem como

 alguns dos seus poemas. Espero que gostem. Eu

 gostei.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

MARIA JOSÉ PEREIRA

 
foto de Luna
PARA TI, PARA NÓS
 Nos teus olhos me deixo voar
Nesse conto de fadas
Escrito para mim,
Para ti, para nós,
No dia em que nasci,
Nos tropeços das tardes vivi
Na solidão do caminho
E a vida comum choro-me
Rasgando o tempo com feridas cruéis,
Historias mal escritas
mas no dia em que nasci
foi gravado a letras de fogo
Que há forças que se atraem
E voam como  pássaros soltos
Sem amarras e nada os pode parar
Porque a felicidade existe
Num desenlace de amor.
Luna 
Biografia: Maria José Pereira é na minha opinião uma excelente poetisa que assina os seus trabalhos com o pseudónimo de Luna.
Aqui podem visitar o seu blogue e conhecer melhor a autora. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ANA PAULA INÁCIO

 Dois poemas de  "Vago pressentimento, azul por cima"











a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.
Hoje, abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal.
Olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo.


                ***


Amanhã vou comprar umas calças vermelhas
porque não tenho rigorosamente nada a perder:
contei, um a um, todos os degraus
sei quantas voltas dei à chave,
sublinhei as frases importantes,
aparei os cedros,
fechei em código toda a escrita.

Amanhã comprarei calças vermelhas
fixarei o calendário agrícola
afiarei as facas
ensaiarei um número
abrirei o livro na mesma página
descobrirei alguma pista.

Ana Paula Inácio 


Biografia e poemas daqui
Ana Paula Inácio nasceu no Porto, em 1966. Publicou três livros de poesia - As Vinhas de Meu Pai (Quasi, 2000), Vago Pressentimento Azul Por Cima (Ilhas, 2000), 2010-2011 (Averno, 2011) e um livro de contos - Os Invisíveis (Quasi, 2002). Está representada nas antologias Anos 90 e Agora (Jorge Reis-Sá, Quasi, 2001) e Poetas Sem Qualidades (Manuel de Freitas, Averno, 2002). Vai publicando poema aqui, poema ali, sempre discreta, poeta em fuga, austera, invisível como as suas personagens, pura matéria verbal.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

FÁTIMA IRENE PINTO





Não terminaste!


Uma Lágrima

Pelo beijo que eu não te dei,
Pelo afago que eu sufoquei,
Pelos sonhos que malbaratei,
Pelo encontro que em vão sonhei,
Pelo beijo que não me roubaste,
Pelo afago que me recusaste,
Pelo encontro que tu evitaste,
Pelo sonho que tu não sonhaste!

Uma Lágrima

Pela mão que não entrelacei,
Pelo olhar que jamais cruzei,
Pela valsa que eu não dancei,
Pela música que não entoei,
Pela mão que não apertaste,
Pelo olhar que tu desviaste,
Pela dança que tu não dançaste,
Pela canção que não escutaste!

Uma lágrima

Pela espera da festa...sem festa,
Pela espera do gozo...sem gozo,
Pela espera da vida...sem vida,
Pelo ápice do fim...sem fim!

Uma lágrima enfim

Sem festa...pela fresta que tu me fechaste,
Sem gozo...pois no meio do caminho declinaste,
Sem vida...foste minha luz e te apagaste,
Sem fim...começaste a amar e não terminaste!
 
Fátima Irene Pinto


Biografia:   DAQUI


Formada em letras em 1978 ( Fac. Barão de Mauá  - Rib. Preto), mãe de gêmeos,  Renan Veronezzi e Régis Veronezzi, adora ler e tem muitos livros de H. Rohden - Pietro Ubaldi  -  Yogananda  - Chopra.  
Acha a Biblia um manancial de conhecimento assim como a Mitologia. Gosta de estudar sobre Confrarias e Metafísica ... um pouquinho de tudo, como diz, mas dá realce à  "Grande Sintese" de Pietro Ubaldi que leu aos 16 anos e acha uma obra sublime e nunca mais deixou de retomar várias vezes.
Vê o seu primeiro livro, MOMENTOS CATÁRTICOS, como um livro com temas denotadamente tristes. Já os livros posteriores mostram uma nova mulher em fase de gratidão e renovação perante a vida.



Livros editados

Momentos Catárticos
 Lançamento em Maio de 2001 pela Fiuza Editores

Palavras Para Entorpecer o Coração
Lançado a nível nacional pela  Soler Editora, em Abril de 2004
 
"Relicário" Fragmentos de Amor e Paixão
Lançado pela  Soler Editora, em Julho de 2004

Participou no livro de Celito Medeiros, com o Soneto "Artistas Em Oração" na Ciranda Especial Poesia e Arte.


BOM FIM DE SEMANA

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MARIA DA LUZ COLAÇO

Vinte cinco de Abril

Quando o avô era jovem
E teu pai era menino,
Portugal amordaçado
Pelo regime fascista,
Via seus filhos partir
E muitos já não voltavam,
Uns emigrando por fome,
Outros pela guerra tragados.
Ninguém podia falar
Ninguém podia dizer
Que não queria ir p’ra guerra,
Que não queria combater.
Angola é nossa ,gritava ,
Bem alto a velha Emissora,
Combater nossos irmãos,
De pele diferente na cor,
Mas a alma, essa sim
Jorrava sangue vermelho,
Tal e qual na mesma dor...
Fartos de tanto lutar,
Fartos de tanta traição,
Resolveram os soldados ,
Dizer basta...dizer não.

E surge o 25 de Abril,
O Abril das mil flores,
Dos cravos, dos malmequeres,
Das papoilas reluzentes,
Das searas ondulantes ,
Dos portugueses valentes!...

Uma alegria imensa
Varreu o meu País de norte a sul,
A noite escura deu lugar
Ao céu azul,
O povo saiu à rua,
Abriu as portas da prisão
De par em par
E gritou alto a sorrir:
Somos livres,
Somos gente,
Queremos viver em verdade
25 de Abril sempre
Sempre ,sempre LIBERDADE!...

25/04/1998
Maria da Luz Colaço
Há muito que queria trazer para esta galeria esta poetisa. Esperava o lançamento do seu livro para o fazer. Porém hoje ao ler este poema decidi que devia publicá-lo ainda que o livro não tenha sido publicado e que eu não possua a sua biografia.  Oxalá vos agrade tanto quanto a mim

domingo, 1 de abril de 2012

SOFIA BARROS

É hoje dia 15 de Abril pelas 15 horas, em Lisboa, Campo Grande, o lançamento deste livro.
Se mora em Lisboa, ou nos arredores e tem um tempinho livre vá até lá.
 





Mais um livro de poesia, está saindo para o mercado.  Deixo o convite para todos que morem em Lisboa ou arredores. Não deixem de ir ao lançamento. Vão ver que com diz a canção "Vai valer a pena"
Deixo-vos um poema da autora, e também o link do seu blogue
SAUDADE
Saudade da tua pele na minha pele,
Bailado sedento de corpos inebriados
Esgotados de tanto saborear esse mel,
Licor de amantes embriagados.



Saudade do teu calor no meu calor,
Mãos dadas num brinde de harmonia,
Das tantas vezes em que, mais que amor,
O que fizemos foi pura poesia.



Saudade da tua vida na minha vida,
Do reencontro ansiado e intenso,
Quando me aninhavas nos braços, despida

E o tempo parava, por nós suspenso.



DESEJO-VOS UMA FELIZ PÁSCOA.
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