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sábado, 5 de março de 2016

VENHO CONTAR-TE ESTRANGEIRO


                                                            Ponta da Piedade. Foto minha




Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal
Aos teus olhos tão estranhos vou mostrar-te
as aldeias esquecidas do interior
onde os campos raquíticos
 não dão pão
Terras,só terras,sem água, sem luz
sem escolas
sem homens
que já se cansaram da fome
herdada
desde longínquas gerações.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Aos teus olhos velados da cegueira
das campanhas turísticas.
Aos teus olhos que erram pelas praias
banhadas de sol.
Venho contar-te estrangeiro
as horas de incerteza e de angústia
vividas pelo meu povo
que pela fome ,o mar tornou seu escravo.
E...venho contar-te mais
desta terra onde nasci...
Onde os homens nascem
vivem
e morrem
sem consciência de terem vivido.
Terra de homens-escravos.
Escravos do tempo
das máquinas
do dinheiro
da própria Vida.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Deste país que já não é  só de poetas
porque um dia um punhado de homens acordou
quebrou as amarras do medo e lutou.
Era Primavera e os cravos floriram.
Na terra dos homens-escravos,
a Revolução nasceu.

Hoje...quero contar-te estrangeiro
quando o desalento mata a esperança
quando o desemprego cria raízes no meu país
e o meu povo envelhece desiludido
olhando as pétalas secas dos cravos.
Hoje... quando os homens se esquecem dos sonhos
e voltam a ser escravos.
Hoje, estrangeiro
como eu queria acordar este país
com a revolta que me rasga o peito
e gritar
EU QUERO UM PORTUGAL DIFERENTE
no futuro


Elvira Carvalho



quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de ABRIL de 2013. DIA DA LIBERDADE




CANSAÇO

Estou cansada
dos homens que adormecem ao sol
como lagartos.
Estou cansada dos ideais esquecidos
condenados sem nenhum recurso
nas mentes abarrotadas de ambição
dos líderes políticos.

Estou cansada
das aldeias de terras abandonadas
regadas
pelas lágrimas ardentes
das mulheres saudosas.
Estou cansada de crianças sem pai
que não sabem rir
porque ainda não têm pão.

Estou cansada
dos operários submergidos no desespero
dos salários em atraso,
que tornam caricato o pensamento
dum sol que nasce igual para todos.
Estou cansada
das mulheres que não têm noites de amor
desaparecidos os seus homens
no mar da emigração.

Estou cansada
das promessas das campanhas eleitorais
e das promessas a longo prazo, dos governos eleitos.
(Tão a longo prazo que não chegam nunca )
Estou cansada desta hipocrisia
que corre em linhas de incerteza
nos lábios dos homens sem tempo
nem idade.

Elvira Carvalho


Hoje no Sexta o 25 de Abril comemora-se com outro poema meu. Se lhe apetecer passe por lá.
Resto de bom feriado e bom fim de semana
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