Bloquear botão direito do mouse: Bloquear seleção de texto: Bloquear tecla Ctrl+C/Ctrl+V: Bloquear arrastar e soltar:
Mostrar mensagens com a etiqueta - poema e biografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta - poema e biografia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de junho de 2012

FÁTIMA IRENE PINTO





Não terminaste!


Uma Lágrima

Pelo beijo que eu não te dei,
Pelo afago que eu sufoquei,
Pelos sonhos que malbaratei,
Pelo encontro que em vão sonhei,
Pelo beijo que não me roubaste,
Pelo afago que me recusaste,
Pelo encontro que tu evitaste,
Pelo sonho que tu não sonhaste!

Uma Lágrima

Pela mão que não entrelacei,
Pelo olhar que jamais cruzei,
Pela valsa que eu não dancei,
Pela música que não entoei,
Pela mão que não apertaste,
Pelo olhar que tu desviaste,
Pela dança que tu não dançaste,
Pela canção que não escutaste!

Uma lágrima

Pela espera da festa...sem festa,
Pela espera do gozo...sem gozo,
Pela espera da vida...sem vida,
Pelo ápice do fim...sem fim!

Uma lágrima enfim

Sem festa...pela fresta que tu me fechaste,
Sem gozo...pois no meio do caminho declinaste,
Sem vida...foste minha luz e te apagaste,
Sem fim...começaste a amar e não terminaste!
 
Fátima Irene Pinto


Biografia:   DAQUI


Formada em letras em 1978 ( Fac. Barão de Mauá  - Rib. Preto), mãe de gêmeos,  Renan Veronezzi e Régis Veronezzi, adora ler e tem muitos livros de H. Rohden - Pietro Ubaldi  -  Yogananda  - Chopra.  
Acha a Biblia um manancial de conhecimento assim como a Mitologia. Gosta de estudar sobre Confrarias e Metafísica ... um pouquinho de tudo, como diz, mas dá realce à  "Grande Sintese" de Pietro Ubaldi que leu aos 16 anos e acha uma obra sublime e nunca mais deixou de retomar várias vezes.
Vê o seu primeiro livro, MOMENTOS CATÁRTICOS, como um livro com temas denotadamente tristes. Já os livros posteriores mostram uma nova mulher em fase de gratidão e renovação perante a vida.



Livros editados

Momentos Catárticos
 Lançamento em Maio de 2001 pela Fiuza Editores

Palavras Para Entorpecer o Coração
Lançado a nível nacional pela  Soler Editora, em Abril de 2004
 
"Relicário" Fragmentos de Amor e Paixão
Lançado pela  Soler Editora, em Julho de 2004

Participou no livro de Celito Medeiros, com o Soneto "Artistas Em Oração" na Ciranda Especial Poesia e Arte.


BOM FIM DE SEMANA

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CARMO VASCONCELOS

Guernica



HOJE COMO ONTEM...
(Poemas em tempo de guerra) 


 

Hoje os rios correm vermelhados de vergonha,
plúmbeos os céus, envergam traje de ímpar dor,
na atmosfera gaseifica-se o estertor,
poeira de sangue sem limite que se oponha.
 
É uma barbárie turbulenta que regressa,
a insanidade da feroz Roma de Nero,
 a arena ignóbil do bestial exemplo fero,
a demoníaca atrocidade, ira pregressa.
 
Qual a que à morte condenou natos varões,
pra aniquilar a voz do Cristo Redentor,
chegado ao Mundo pra pregar a paz e o amor,
mote enjeitado por Herodes e vilões.
 
 A mesma que, ímpia, conduziu à Inquisição,
injustamente, os desafectos, fés avessas,
e fez rolar na guilhotina mil cabeças,
sem vacilar um só momento em compaixão. 
 
Hoje, motivos e razões tão divergentes,
vestem de igual a guerra, em sangue mergulhada,
 e capitula a Paz, às mãos da malfadada
carnificina que dizima os inocentes.
 
Novo Dilúvio venha à Terra! E que extermine
os vis demónios que a ambição trazem aos pés,
e nos devolva o Mundo, tal o que Deus fez,
um Mundo Novo que a violência recrimine!
 
CARMO VASCONCELOS


Biografia

A autora possui vários blogues na net.. Neles encontrarão não só os seus muitos poemas como a própria biografia.
Para a conhecerem melhor visitem Varanda das Estrelícias
Aqui encontrarão não só a biografia da autora como ainda links para os seus outros blogues.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ANA MARTINS


Está aí mais um livro de poesia. Ave sem Asas de Ana Martins que alguns de vós conheceis do blogue com o mesmo titulo. O livro tem uma bela apresentação ( visível na foto da capa aqui fotografada) tem além de belos poemas, uma nota introdutória de Maria José Areal, uma outra poetisa já apresentada neste espaço.
O livro é edição da autora e se alguém estiver interessado pode dirigir-se ao blogue e informar-se de como fazer para o obter.

O TEU CORAÇÃO, AVE SEM ASAS

O teu coração, é a ave mais bela
De todas as aves.
Não tem asas mas voa,
Voa de coração em coração,
Voa mais alto que as próprias aves.
O teu coração, é ave de ternura,
É a ave que voa,
Numa linda manhã de Primavera.
É das aves a mais pura,
A mais linda e a mais sincera.
Dava tudo para agarrar
Essa ave que voa contra o vento,
Que esvoaça de alegria,
Que não quer ser prisioneira.
Sinto que ela foge,
A cada minuto que passa
A sinto mais longe, mais distante,
Mais linda e mais livre.
Mas choro,
Choro por não poder fazê-la minha!
Queria tanto o teu coração,
Essa ave que tens dentro de ti
E que te comanda como ela quer,
Queria que se entregasse A mim e só a mim!
Mas isto é querer muito?
Talvez sim e talvez não!
Talvez um dia eu entenda,
Essa ave misteriosa
Que se chama coração!

Ana Martins

Biografia:
Ana Paula do Vale Simões Martins, mulher, esposa e mãe, autodidacta. Ribatejana, natural de Santarém e Fafense por adopção, cidade onde reside há 17 anos. Filha de Joaquim Pires Simões e Maria Augusta Barros do Vale. O pai militar e a mãe doméstica, passou a infância entre África e Portugal. O que lhe permitiu o contacto e uma perspectiva  de diferentes culturas, enriquecendo assim o sentido humanista, característico na sua personalidade.
Ana Martins, frequentou a Escola Secundária de Paços de Ferreira onde viveu grande parte da adolescência e parte da vida adulta.
Desde muito jovem começou a sentir afeição pela escrita, escrevendo o seu diário que enriquecia dando os primeiros passos na poesia.

Nota: Esta biografia é de autoria de Victor Manuel do Vale Simões e está inserida na aba da capa do livro.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

1 DE JUNHO---- DIA DA CRIANÇA ---SANDRA MAMEDE



  SER CRIANÇA
Ser criança
Não é somente ter pouca idade
E sim esquecer a idade física
A nossa verdadeira idade está na mente
É o que se sente.

Ser criança
É perseguir a felicidade
Sem se importar com a idade.

É esquecer um pouco das responsabilidades
Sem contudo ser irresponsável.

É viver intensamente o presente
Não viver condicionado ao futuro
Nem ruminando o passado

É amar intensamente
E viver essa paixão sem precedentes

É sempre sorrir
Sempre estar aberto para o novo

Ser criança
É nascer de novo a cada dia...



 Sandra Mamede




 Biografia  Daqui


Sandra Maria Mamede Farias é a única filha, de uma família de sete, que não foi registrada com nome árabe. Sandra Mamede (como prefere ser chamada), nasceu e foi criada em Salvador, "Cidade linda e bela que amo muito", e encontrou o equilíbrio entre uma educação rígida e rigorosa por parte do pai e um pouco mais liberal por parte da mãe.

Na época de sua infância, foi muito incentivada pelo pai a ler os famosos gibis... "Hoje posso afirmar com segurança que me ajudaram muito na leitura e na escrita". Sandra lê tudo o que lhe cai nas mãos, mas tem seus escritores preferidos: Sidney Sheldon, Dostoiévski, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Eça de Queiros e qualquer outro bom autor. "Em minha vida, Jesus está em primeiro lugar, pois 'O' aceitei como único Senhor e Salvador da minha vida".
Romântica por natureza, Sandra ainda acredita no amor, aquele amor total, intenso e sincero. "Sempre me perguntam se vivo aquilo que escrevo ou se escrevo aquilo que vivo... bem... escrevo tudo o que sinto, o que percebo, o que vejo... lembranças, fantasias, sentimentos, sonhos, desejos, decepções, acho particularmente que o poeta escreve o que lhe sai das entranhas, e além de colocar a minha alma em tudo o que escrevo, também escrevo sobre o que observo a minha volta, crio personagens... e nessa hora não é Sandra a protagonista, é sim a poeta escrevendo, vivendo e passando através do seu "eu poético".
Sandra tem 49 anos, é professora de português, francês e literatura num colégio público estadual de Salvador, e gosta muito de sua profissão: "Hoje podemos afirmar sem sombra de dúvida que é mais um sacerdócio do que um meio de sobrevivência". Gosta muito de música romântica brasileira, francesa e italiana, gosta de cinema, praia, mar, a natureza de um modo geral. Enfim... quem é Sandra Mamede? Em suas próprias palavras: "Sou 'humana' e principalmente sou 'mulher'!"

domingo, 23 de janeiro de 2011

MARTHA MEDEIROS


PEDAÇOS DE MIM


Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.


Biografia

Martha Medeiros é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.

De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época.

Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.


biografia DAQUI

terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO


O Berlinde

Era uma vez uma pomba
Sem um ninho, sem um pombal,
Era branca como a Lua
E os seus olhos de cristal.

Era uma vez uma pomba
Que não sabia chorar:
O seu choro trrru… trrru…
Era um modo de cantar.

Era uma vez uma pomba
Que noite e dia voava:
Fosse noite, fosse dia,
Nunca a pomba descansava.

Era uma vez uma pomba
Que nos céus, longe, voava,
Seu coração um berlinde
Grande segredo guardava.

Era uma pomba tão estranha
Que voava noite e dia:
Quanto mais alto voava
Mais da terra ela se via.

Era uma vez uma pomba
Com penas de seda real:
Era uma pomba do Mundo
Com seus olhos de cristal.

Seu coração um berlinde
De vidros de sete cores,
Que do sol tinha o brilhar,
Um espelhinho de mil flores.

Um dia longe nos céus,
Viu um menino a chorar
Sentadinho sobre um monte,
Numa noite de nevar.

Não era branco nem negro
Assim na neve o menino,
Seu chorar era triste,
Tornava-o mais pequenino.

E a pomba logo o viu
Com seus olhos de cristal:
Logo desceu para o monte
– Era aquele o seu pombal.

Poisou nas mãos do menino
Com seu corpo, seu calor:
Mãos por debaixo da neve,
Ninguém lhes sabia a cor.


Dorme, dorme, meu menino…
Branco ou negro tanto faz:
Meu coração é um berlinde,
Tem o segredo da Paz.

E o menino já ria,
Podia dormir sem medo,
Sonhava com o berlinde,
Coração feito brinquedo.

Há quem diga que uma estrela
Fugiu do céu a correr,
Atravessou todo o mundo
Para o segredo dizer.

Escutaram-na os meninos,
Têm um berlinde na mão:
Seja noite de Natal,
Seja noite de S.João.

Matilde Rosa Araújo

Biografia
Nasceu em Lisboa a 20 de Junho de1921, na quinta dos avós, em Benfica. Em 1945, licencia-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e em 1946 apresenta a tese inovadora por considerar a reportagem como um género literário: "A Reportagem Como Género: Génese do Jornalismo Através do Constante Histórico-Literário". Leccionou durante 42 anos, 36 dos quais no ensino secundário técnico-profissional em diversas localidades do país; 3 anos no Magistério e outros 3 anos no Jardim Escola João de Deus. Em 1956 publica Poemas Infantis e no ano seguinte O Livro da Tila. Vocacionada para as questões pedagógicas, mesmo depois de estar aposentada do ensino continua a manter contacto com as crianças em visitas e colóquios em escolas e bibliotecas.Fez parte dos corpos directivos da Sociedade Portuguesa de Escritores, foi sócia fundadora do comité português para a Unicef. Tem obras traduzidas no Brasil, na Roménia e na Moldávia.


Eis algumas das suas obras:
1943 - A Garrana
1945 - Estrada Sem Nome
1956 - Poemas Infantis nº 3 da Graal
1957 - O Livro da Tila
1962 - O Palhaço Verde
1962 - Praia Nova
1963 - História de Um Rapazinho
1967 - O Cantar da Tila
1971 - O Sol e o Menino dos Pés Frios
1974 - O Reino das Sete Pontas
1975 - Gil Vicente
1977 - A Balada das Vinte Meninas
1977 - As Botas do Meu Pai
1978 - A Velha do Bosque
1978 - Camões Poeta Mancebo e Pobre
1978 - Os Quatro Irmãos
1979 - O Cavaleiro Sem Espada
1980 - A Escola do Rio Verde
1986 - Voz Nua
1988 - Estrada Fascinante
1990 - O Passarinho de Maio
1993 - Rosalinda Foi à Feira
1994 - As Fadas Verdes
1997 - As Cançõezinhas da Tila
2000 - Segredos e Brinquedos
2003 - Sons Para a Guitarra da Boneca

Matilde Rosa Araújo deixou-nos hoje para empreender essa viagem que todos faremos um dia.
E o panorama cultural português ficou bem mais pobre.




quinta-feira, 20 de maio de 2010

IVONE BEIRÃO


Olhos secos de dor

Pequenas coisas, banais
mágoas de orgulho ferido
traição de alguém conhecido
(um amigo nunca trai)
ódios de gente vulgar
fazem meus olhos chorar.

Se não estivessem toldados
por lágrimas sem razão
de auto-comiseração
e para o outro voltados
vendo olhos secos de dor
inundados de pavor

meus olhos feitos nascentes
de caudais desesperados
no mar da dor mergulhados
sentindo o medo pungente
de quem sofre nesta terra
perseguição, fome, guerra

secos de dor ficariam
e nunca mais chorariam.

Maria Ivone de Jesus Pinto Manteigueiro Vairinho nasceu na cidade da Covilhã.
Foi aluna da Escola Industrial e Comercial Campos Melo. Completou os cursos de "Formação Geral do Comércio" e "Complementar do Comércio". Tem os cursos do Instituto Britânico e da Alliance Française. É diplomada pela Escola Pittea em estenografia portuguesa, francesa e inglesa
Com o pseudónimo de Ivone Beirão, em 1959 pertenceu ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio. Sob a orientação do Prof. Motta Pereira, gravou programas nos estúdios da Emissora Nacional, na Rua do Quelhas, e estreou-se num Serão para Trabalhadores no Pavilhão dos Desportos no Parque Eduardo VII . Nessa altura, teve também lições de arte de dizer com Manuel Lereno
Pertenceu ao Grupo Cénico da Casa do Pessoal da SACOR e sob a direcção de Carlos Pinho colaborou em diversos Saraus de Poesia. Disse, perante Fernanda de Castro, o poema desta Ilustre Poeta, "Maternidade".
Sob a direcção de Ruy Furtado, representou "A Muralha", de Calvo Sotelo e Autos de Gil Vicente. Representou nos Teatros da Trindade, em Lisboa e Luísa Toddi em Setúbal e nas instalações da Sacor em Lisboa, Cabo Ruivo e Faro.
Foi Vice-Presidente e há cinco anos é Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Poetas e Directora do Boletim Trimestral.
Tem proferido diversas Palestras e Conferências (António Gedeão, José Régio, Oito Séculos de Poesia Portuguesa, Prémios Cesário Verde, Poetas do Parque dos Poetas e Ribeiro de Carvalho - Um Republicano com Alma de Poeta), no Palácio Galveias, Hemeroteca Municipal, Livraria-Galeria Municipal Verney de Oeiras, Auditório Nuno Fradique, da RTP, e Casa do Algarve.
Prefaciou livros de Cláudia Borges, Maria Armanda Tavares Belo e Susete Viegas.
Há cinco anos, na Universidade Sénior, dá aulas de "Ler...e Dizer - Nove Séculos de Literatura Portuguesa/Poesia".
É sócia da Associação Portuguesa de Poetas, Associação Portuguesa de Escritores, Sociedade Portuguesa de Autores, Associação Fernando Pessoa e APAE - Campos Melo (Covilhã).

Obras publicadas:
ROMANCES
Linhas Trocadas
Amor Cigano (1ª e 2ª Edições)
Humilhação de Amor
Uma Mulher Moderna
(esgotados) - edições da Agência Portuguesa de Revista
POESIA
Livro da Dor e da Esperança ( VEGA - Outubro de 1999 - com prefácio de António Alçada Baptista).

Biografia completa AQUI

segunda-feira, 22 de março de 2010

CRISTIANE NEDER




Foto de Arias Rizo

DITA DURA

Dita
o progresso,
dura
o retrocesso.

Dita
palavras,
duras
pancadas.

Dita
educação,
dura
analfabetização.

Dita
riqueza,
dura
pobreza.

Dita
ao homem,
dura
o consome.

Dita
tudo,
dura
nada.

Cristiane Neder

BIOGRAFIA

Cristiane Neder , nascida na Cidade de Santo André - SP, Brasil, em 18 de agosto de 1969 . Formou -se em Colegial Técnico em Propaganda e Publicidade em 1989 no CSJT , fez graduação em Comunicação Social em Rádio e Televisão na Universidade São Judas Tadeu , formando -se em 1994 . Faz atualmente Mestrado em Comunicação Social na Escola de Comunicação e Artes da USP em Cinema , Rádio e Televisão - CTR , com a orientação do Prof. Dr. Marcelo Tassara .
Escritora e poeta , publicou em 1992 o seu primeiro livro Revolution, por Massao Ohno Editor . No ano de 1996 é convidada a participar da publicação Agenda da Tribo, agenda polêmica de um grupo de anarquistas que é vendida e distribuida por todo Brasil, com pedaços de letras de músicas e poesias . Seus poemas configuraram ao lado de escritos talentosos de e de artistas como Caetano Veloso, Renato Russo e Chacal nesta agenda . Participou da Antologia Literária : Vento A Favor , publicada em 1997 pela Realistas Editora .
Começou escrevendo cedo já com seus 12 anos de idade e começa a trabalhar como colaboradora de matérias, artigos e crônicas em vários jornais aos 14 anos , passando a escrever no Jornal da Zona Leste . Daí para frente não parou mais de escrever nos mais diversos jornais : Expressão da Liberdade, O Central, O Dia de São Paulo, Espaço 10 de Matão, O Democrata de Piracicaba .
Escreveu e publicou poesias em jornais especializados só em literatura também : Tal e Qual de Porto Alegre, Verso e Reverso , D. O Leitura , O Nicolau, e e o mais recente O Carioca e no Jornal da OMLD - Organização Mundial de Lusos e Descendentes , onde também é Vice - presidente de Cultura da entidade, nomeada em 1996 , e deu aulas de literatura no Curso : O Mar Como Mensageiro da Palavra, curso criado por ela , no qual se preocupou em fazer um estudo comparado entre a literatura Brasileira e Portuguesa e como se deu o processo de difusão das duas .
Colaborou com alguns artigos acadêmicos na Revista Integração do Centro de Pesquisa da Universidade São Judas, e participou de seminários na mesma universidade. Além dos seus trabalhos já comentados é autora de uma série de poesias feitas ao Vinho Forestier, trabalho publicitário que foi publicado em no Jornal Círculo de Conhecedores da Maison Forestier em 1994 , no nº 12 publicado pela Task Force Serviços de Comunicação .
Em 1994 seu poema Prestes é outorgado como Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo pela Prefeitura da Cidade e é colocado em uma placa comemorativa em homenagem a Luiz Carlos Prestes, no Parque Municipal que leva o nome do líder tenentista - comunista , por iniciativa do então Deputado Estadual Hilkias de Oliveira .
O trabalho literário de Cristiane Neder tem vários reconhecimentos : o poema Prestes ganha menção honrosa em 1989 da Casa de Las Américas de Cuba, em 1991 e o X Juri do Salão de Arte do SAIAMC - Salão de Arte do Instituto Alberto Mesquita de Camargo confere o prêmio Troféu Especial na categoria Honra ao Mérito - Poetisa . Ganha em 1991 também o 1 º Concurso de Poesia da Universidade São Judas , em 1 ª colocação .
O Concurso Cultural Fuji Photo Film do Brasil também lhe confere em um diploma pela sua destacada participação com frases em defesa do Meio Ambiente em 1989 , assinado pelo diretor presidente Takeo Shirasaki . Em 1997 ganha Menção Honrosa do Grupo Pão de Açucar por seu texto - poético dissertativo sobre o supermercado no Concurso Cultural Pão de Açucar , e '' O Pão de Açucar de Nossas Vidas '' é encaminhado para o Acervo Cultural da Empresa para o Projeto Memória .
A veia política de Cristiane Neder tanto quanto a literária sempre foi saliente desde seus 14 anos, quando ingressa na vida partidária, escreve em 1996 o texto : '' O Sentimento de Ser Socialista'' , no qual descreve neste seu texto a seguinte conotação do que é ser socialista para ela : '' Ser socialista é para mim antes de tudo não deixar que a criança que há dentro de cada um de nós caia no esquecimento '' . Foi da direção municipal das Comissões da Juventude e da Cultura no PCB - Partido Comunista Brasileiro - 1987 à 1989 .
Hoje preocupada em incentivar a literatura no Brasil Cristiane Neder apresenta um quadro de literatura na Rede Mulher e simultaneamente na CNT / Gazeta , chamado Lendo Mais, às quartas - feiras de manhã por volta de 9 : 30 às 10 : 00 horas no Programa Viva Show, dando espaço para editores, autores, jornalistas e divulgadores literários e culturais em geral para falarem sobre temas literários desde a prosa à poesia .
A conciliação da poesia com a política é o resultado do livro Politicamente ( In ) Correta, onde a autora define sua paixão pela poesia , tanto quanto pela política na seguinte frase: '' A poesia me dá o direito de sonhar , e a política me dá o direito de realizar '' .


Biografia DAQUI

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

LYA LUFT


CANÇÃO DA PLENITUDE

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força -- que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés -- mesmo se fogem -- retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.


Lya Luft

Biografia
Lya Luft nasceu no dia 15 de Setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Até 18 de Março de 2008, data da publicação deste texto bio´gráfico na Home Page do Século XXI, Lya contava com 70 anos e morava em Porto Alegre.
Por se tratar de cidade de colonização alemã, as crianças, em quase sua totalidade, falavam alemão, e os livros utilizados nas escolas vinham da Alemanha. Com onze anos, Lya decorava poemas de Goethe e Schiller.
Posteriormente, estudou em Porto Alegre, onde se formou em pedagogia e letras anglo-germânicas.
Iniciou sua vida literária nos anos 60, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Lya Luft já traduziu para o português mais de cem livros. Entre outros, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Ela diz que traduzir é sua verdadeira profissão.
Conheceu Celso Pedro Luft, seu primeiro marido, quando tinha 21 anos. Ele tinha quarenta. Era irmão marista. Foi numa prova de vestibular. Achou-se ridícula quando pensou: esse é o homem da minha vida! O irmão marista tirou a batina para casar com ela em 1963.
Nessa paixão, começou a escrever poesia. Os primeiros poemas foram reunidos no livro "Canções de Limiar" (1964).
Tiveram três filhos: Suzana, em 1965; André, em 1966; e Eduardo, em 1969.
Em 1978 lança seu primeiro livro de contos, "Matéria do Cotidiano".
A ficção entrou em sua vida dois anos depois de um acidente automobilístico quase fatal em 1979. Como teve uma visão mais próxima da morte, diz a autora que começou a fazer tudo que evitava.
Primeiro foram crónicas, com o lançamento de "As Parceiras", em 1980, e "A Asa Esquerda do Anjo", em 1981. Textos amenos. Uma espécie de fingimento de que na vida tudo é bom. A morte é encarada como uma coisa normal. Mas gostaria que todos os seus amigos fossem eternos. Mesmo assim, acha a morte uma coisa mágica.
Em apenas oito anos Lya Luft sofreu duas perdas grandes demais. Dos 25 aos 47 anos foi casada com Celso Pedro Luft. Separou-se dele em 1985 e foi viver com o psicanalista e escritor Hélio Pellegrino, que morreu três anos depois. Em 1992 voltou a casar-se com o primeiro marido, de quem ficou viúva em 1995
BIOGRAFIA DAQUI

sábado, 21 de novembro de 2009

CARLA DIAS


Bebi... sim...

de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.

Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.

Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.

Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.

Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.

Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.

Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.

Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.

Perder...


Biografia

No site da escritora encontrará uma extensa biografia escrita pela própria. AQUI

Foto recebida por email.

domingo, 27 de setembro de 2009

AMÉLIA DALOMBA

Foto de um quadro do pintor angolano Eleuterio Sanches retirada DAQUI

HERANÇA DE MORTE

Lírios em mãos de carrascos

Pombal à porta de ladrões

Filho de mulher à boca do lixo

Feridas gangrenadas sobre pontes quebradas

Assim construímos África nos cursos de herança e morte

Quando a crosta romper os beiços da terra

O vento ditará a sentença aos deserdados

Um feixe de luz constante na paginação da história

Cada ser um dever e um direito

Na voz ferida todos os abismos deglutidos pela esperança



Amélia Dalomba


Biogradia



Amélia Dalomba, nasceu em Cabinda aos 23 de Novembro de 1961. Tem exercido actividades profissionais em diversas áreas do jornalismo, nomeadamente radiofónico e de imprensa. Publicou poemas e artigos no Jornal de Angola. Presentemente prossegue os estudos superiores de Psicologia.

É uma das poucas vozes femininas que no nosso meio literário demonstra um relevante interesse em trazer contribuições novas para a poesia angolana. A sua dicção poética insere-se, até este momento, numa das correntes visíveis entre os autores da Geração das Incertezas, a chamada Geração de 80.

Tal tendência ou corrente manifesta-se através de um ostensivo tratamento estético da relação que se estabelece entre o homem e a mulher. Nota-se o recurso a um despojamento vocabular denso do ponto de vista semântico, resultando daí aquilo a que poderia denominar uma poética corporal.

Sobre a poesia desta autora, Manuel Rui diz: " No sentir, o laboratório dos sentidos para escrita, percebe-se à primeira vista, que é mesmo feminino".

Amélia Dalomba é membro da União dos Escritores Angolanos em cujos corpos gerentes tem ocupado diversos cargos. Publicou: Ânsia (1995) e Sacrossanto Refúgio (1996)

Biografia DAQUI

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

REGINA COELI




O uivo do vento

Quando na sua solidão
encontrar a minha ausência.
Quando nos seus abraços
não encontrarem o meu peito,
quando os seus lábios
não encontrarem os meus beijos,
quando na sua saudade encontrar um lamento,
escuta o uivo do vento.
Serei em sua vida
um raio, uma tempestade,
um murmúrio na escuridão.
Um gemido de saudades
voando no seu desejo.
Estarei no brilho dos seus olhos,
serei o seu aconchego
e no delírio de amor
serei o seu calor!
Nos meus lençóis amarrotados
que a lua enche de luar
aonde você vai acordar,
encontrará suspiros ternos de amor.
Vem bailar nos olhos de quem lhe ama,
não deixe apagar essa chama
que a lua a noite ateou.
Serei um toque de veludo,
serei tudo...
Serei a felicidade, serei a vida
jamais esquecida...
Serei a alma que o desejo agita,
o eco do silêncio, que grita
Serei você e serei eu...

Regina Coeli


Biografia

"Sou uma pessoa guerreira e espiritualista. Gosto de fazer amizades, viajar e ir ao encontro de novas culturas. Fiel aos meus princípios, sou amorosa, adoro escrever, sonhar, namorar, tomar banhos de cachoeiras e viver a vida intensamente. Gosto de olhar o mundo na cor do céu! Adoro os meus filhos, o meu neto e os meus amigos. Tomara que vocês gostem do meu cantinho, desejo muita luz a todos! Deixo uma mensagem para reflexão. Existem pedras, não desista de andar... Existem barreiras, não desista de pisar... Existem os nós, é preciso desatar. Existe o desânimo, é o pior que há. A estrada é longa, não desista de chegar. Existe o cansaço, é preciso caminhar. Existe a derrota, você nasceu para ganhar. Existe o desamor... é fundamental amar..."

Estas são as palavras com que a autora se descreve no seu blogue

http://deusaodoya.blogspot.com/

domingo, 6 de setembro de 2009

SOROR VIOLANTE DO CÉU





SONETO

Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

soror Violante do Céu


Biografia



Soror Violante do Céu (1602-1693) era uma freira dominicana que na vida secular se chamou Violante Montesino. Professou no Convento de Nossa Senhora do Rosário da Ordem de S. Domingos em 1630. Foi uma das poetizas mais consideradas do seu tempo, sendo conhecida pelos meios culturais da época como Décima Musa e Fénix dos Engenhos Lusitanos. É hoje um dos máximos expoentes da poesia barroca em Portugal. Aos 17 anos celebrizou-se ao compor uma comédia para ser representada durante a visita de Filipe II a Lisboa. Além do volume Rimas publicado em Ruão em 1646 e do Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, publicado em Lisboa em 1733 em dois volumes, tem várias composições poéticas na Fénix Renascida.

Biografia retirada daquihttp://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/violante.htm

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

MARIA JOSÉ AREAL



Não pensem que...


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque os dias me açoitam
E as noites me agitam.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque lá fora o mundo se atropela
E agente anda aturdida.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque em Agosto choveu
E o mar estremeceu.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque os olhos do vento
Se esbugalharam contra os meus.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque o Gaio deixou de cantar
E a seara não deu trigo maduro.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque ser amigo demora
E as palavras deixaram de ser sentidas.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque desacreditaram os poetas
E esqueceram as laranjas da madrugada.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque uma árvore morreu queimada
E a rosa murchou no umbral da tua casa.


Não pensem que vou desistir da vida.
Não pensem que vou desistir da vida.
Sobra-me o espanto e tanto atrevimento.



Maria José Areal



Biografia
Nasceu em 13 de Fevereiro de 1951, na freguesia de Cristelo-Covo, concelho de Valença, de onde saiu , como emigrante, para os E.U.A. no ano de 1967, regressando dois anos depois, para reiniciar os seus estudos no Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Valença.
No ano de 1975 concluiu o Curso do Magistério Primário, iniciando as suas funções docentes na Telescola de Riba de Mouro-Monção.
Entre o ano de 1978 1 1985, integrou o Projecto “Educação Física e Desporto Escolar” nas escolas do 1º Ciclo dos concelhos de Vila Nova de Cerveira e Valença, considerando um dos momentos altos, em termos de aprendizagem, na sua carreira.
No ano de 1986 matriculasse na Universidade Portucalense, concluindo a Licenciatura em Ciências Históricas, no ano de 1990.
Passa pela Universidade do Minho, onde conclui a parte curricular do mestrado em Demografia Histórica, encontrando-se no ano de 1999 a frequentar o Doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela na Galiza.
Desde a ano de 1995 até 2007 foi Directora do centro de Formação de Professores de caminha e Vila Nova de Cerveira.
Actualmente é docente voluntária na Universidade sénior de Cerveira, nas disciplinas de Expressão Corporal e História da Oralidade: e é também voluntária na biblioteca de Cerveira onde "dirije" um clube de Leitura.
Casada com o Arqº. Jaime Areal e mãe do Luís Carlos, reparte o seu tempo nas coisas da vida. A dança e a poesia são o seu vínculo mais real ao universo da fantasia.

Obras da autora

Pedaços de Mim - Maio 1999
À Deriva - Fevereiro 2004
Sabor a Sal e a Mel – Maio de 2006
Pedaços de Memória - Itinerâncias no tempo e no espaço". Composta por 27 histórias verdadeiras, de 7 autores, (grupo de alunos da História da Oralidade) sobre a sua coordenação.



Biografia cedida por um familiar da autora.

domingo, 23 de agosto de 2009

TÂNIA TOMÉ

Foto da net

África Inexplorada


Eu sou a parte de toda África

Ainda inexplorada

Onde batuque

Se auto musica

No orvalho terrestre

Nas aguas ainda mudas

Que correm a mutação

Das savanas e das pestes

Eu sou África ainda pura

Que nos seus campos virgens

Ainda adora o sol

E o canta pentatónica

Com a felicidade de existir

Sou África em cada pedaço de mim

E cada pedaço de mim a existir

Mupipi sobrevoando o grão

Urdindo o cântico litúrgico

Da utopia nas sementes

Marrabentando o futuro

Com mesmo sol dendêm

Das acácias e das palancas

Das palmeiras alcançando o céu

Eco ritmando o mistério e o feitiço

Da mãe ventrando a terra una

E da mão carne e alma de mulher

Eu sou a África profunda

Nos montes e ilhas

Que clamam os quatro ventos

Do sonho e dos horizontes

Que nos escorrem pelos dedos

No desacredito dos desertos

E das rochas esquecidas

Sou eu África fecunda

Que te escrevo

No sabor do lirismo que nos une

Na poesia dos povos

Neste exotismo de ânsias

Que nos sonha

Parte da África ainda inexplorada.


Tânia Tomé


biografia:

Tãnia Teresa Tomé nasceu a 11 de Novembro de 1981,na cidade de Maputo em Moçambique. Desde cedo que nutre uma paixão fulminante pelas artes, e com ela vai crescendo nos envolvimentos e interacções que vai tendo na vida artístico-cultural.

Cantora, compositora e declamadora são as outras actividades que a identificam e que vai exercendo para além da actividade profissional[Analista de Risco de Crédito no Banco].É Licenciada em Economia e Pos-graduada em Auditoria e Controlo de Gestão pela Universidade Católica Portuguesa [Portugal,Porto].

Faz parte de uma antologia Palop, para além de participações em alguns boletins e jornais, é membro da AEMO [Associação dos escritores Moçambicanos], e faz parte de um Movimento cultural [100 critica] composto por artistas que promovem recitais de poesia e música tradicional e acústica em Moçambique [Meu país Amado].

Participou em alguns projectos de poesia e declamação,de referenciar 'Dentro de mim outra ilha de Júlio Carrilho' com Jaime Santos [Declamador Moçambicano], e participação na Feira da Voz no Franco-Moçambicano como Júri de Declamação e actuação com Eduardo White [Poeta Moçambicano], ganhou alguns prémios de poesia, e têm 'mão' alguns projectos para o futuro presente.

Esta aberta a critica construtiva, a reflexão, a opiniões variadas, e a conselhos.A vida é uma recta continua de aprendizagem, qualquer amadurecimento implica o reconhecimento de ainda necessitar de crescimento, e da consciência exacta de se ainda ser pequeno,mas não obstante ter uma tarefa enorme a cumprir: com a minha acção socio-cultural individual contribuir com o crescimento do meu País [MOÇAMBIQUE] e do mundo que me gira a volta.

' Escrevo,para que numa dimensão sem espaço e sem tempo, eu possa interagir comigo e com os outros. Promovendo cultura para todos, conscientizando pessoas, alimentando espíritos e fazendo emergir por momentos constantes e incessantes 'PRAXIS' E 'GNOSES'. Para que possa eu, ver de mim a crescer e aprender com tudo e todos os que me possam guiar. E com isso contribuir com o que tenho na alma e na mente para fazer crescer outrem, fazer crescer meu MOÇAMBIQUE, fazer crescer MUNDO '

Tânia Tomé


Fonte

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_africa.asp?ID=1740


sábado, 15 de agosto de 2009

MARIA JOSÉ FRAQUEZA

Foto da net



HINO DE AMOR

Neste mundo cruel e tão carente
A guerra, a droga, a sida me apavora
Ao ver numa criança,um inocente
O Homem desumano que a explora...

Quero viver num mundo diferente,
Mas que mundo voraz, mundo de agora!
Que a Paz chegasse a todo o continente...
Existe tanta gente que ainda chora!

Eu quero ver um mundo que a sorrir,
Saiba abrir as Portas ao Porvir...
Mais temente a Deus Pai - o Criador!

Amar! Amar... e não ter mais fronteiras
A Bandeira da Paz, nas dianteiras...
Hino à Pátria Amada! Ecos d Amor!

biografia:

Maria José Viegas da Conceição Fraqueza
, natural da Fuseta, nascida em 8 de Maio de 1936, autora inscrita na Sociedade Portuguesa de Autores, tem cerca de 11 obras individuais cujos títulos se descrevem - Histórias da Minha Terra - 1ª e 2ª edições; Alcunhas e Apelidos - Histórias da Minha Gente; Murmúrios do Mar; Vendavais da Alma; Cântico das Ondas; Há Natal Dentro de Mim; Maresias Infinitas; Maré de Trovas; Quando o Mar Canta para Mim; Mar Infinito; Mar de Rosas; Tochas Floridas; Sob as Margens do Gilão e No Tempo da Mana Anica [prosa - conto].
Maria José Fraqueza, é professora aposentada, poetisa, pintora, escritora, calígrafa, radialista e jornalista. Exerceu no ensino secundário até à aposentação 37 anos de serviço dos quais constam inúmeras actividades culturais em paralelo. Como poetisa e prosadora, tem cerca de setecentos prémios a nível nacional e internacional, em jogos florais e concursos literários, em diversas modalidades. Na pintura possui cerca de 40telas a óleo, tendo participado nalgumas exposições colectivas. Como escritora dramaturga, tem diversas obras teatrais já apresentadas em palco, desde Almada a Vila Real de Santo António. Tem participado em diversos jornais e revistas com crónicas, entrevistas e artigos, não só em Portugal como no Brasil. Como radialista há cerca de nove anos que realiza o programa semanal na Rádio Gilão de Tavira - 'A Poesia em Movimento - Onda Poética ' entre outros em que já colaborou e realizou em diversas rádios locais - A Magia das Palavras - Poeta é o Povo - Clube dos Poetas Vivos - Poetas da Minha Terra.
É sub-directora do Jornal Correio Meridional e fundadoura do Jornal Brisas do Sul, a que lhe deu o nome, sendo a sua primeira directora.
É Directora dos Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo da Fuseta com 35 anos de existência, vinte anos dos quais tem dinamizado e realizado. Directora Cultural e Presidente da Assembleia do Sport Lisboa e Fuseta; Directora Cultural do Elos Clube de Faro; Vic- Presidente do Clube de Simpatia de Olhão; Vice-Presidente da Associação de Jornalistas e Escritores do Algarve; Presidente em Portugal da Sociedade de Cultura Latina - Secção Brasil - Mogi das Cruzes - S. Paulo; Membro Académico das Academias Brasileiras de Trovas de Magé - Rio de Janeiro; Membro Académico da Academia de Trovas de Niterói; Membro Académico da Accademia Internazionale 'Il Convívio' em Castiglione di Sicília - Itália.
Tem sido júri de diversos Concursos Nacionais de Poesia e Prosa em Portugal, Brasil e Itália.
É ensaiadora de teatro, cantares e danças populares. Na área da música - prémio compositor [letra] - canção ligeira, tem no seu currículo: três primeiros prémios e um segundo, nos anos de 2002, 2003 e 2004, nomeadamente no Festival da Canção do Sul, entre outros.


Biografia DAQUI

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ISABEL MEYRELLES

imagem do Google


Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?

Isabel Meyrelles

Biografia

Escultora e poetisa portuguesa nascida em 1929, em Matosinhos. Começou cedo o seu interesse pela escultura, aos 16 anos iniciou os estudos no Porto, mas decidiu ir para Lisboa estudar e conhecer os artistas nas tertúlias dos cafés. Assim sendo, conheceu personalidades das artes, como Mário de Cesariny e Cruzeiro Seixas, e assistiu ao surgimento do Grupo Surrealista Português e do Os Surrealistas. Corrente artística à qual ficou sempre, de alguma forma, ligada.Nos tempos difíceis que se viviam em Portugal, Isabel Meyrelles sentiu a necessidade de evasão, de sair do país para viver em liberdade. Foi então que decidiu ir viver para França, o seu país de adopção e com o qual se identifica. Em Paris continuou os estudos, desta vez não só de Escultura, na Ecole National Supérieure des Beaux-Arts, como também de Literatura, na Universidade de Sorbonne. Fez várias exposições em Portugal e em França e traduziu obras de vários autores como, por exemplo, Jorge Amado.As suas obras literárias foram publicadas tanto em português (nos primórdios) como em francês. São elas: Em Voz Baixa (1951), Palavras Nocturnas (1954), O rosto deserto (1966), O Livro do Tigre (1976), O Mensageiro dos Sonhos, publicado somente na antologia Poesia (2004).


fonte: infopédia

terça-feira, 28 de julho de 2009

HELGA MOREIRA





Apago cigarro após cigarro,
a chávena ainda quente do café,
e o corpo todo à escuta.
No sono entrevi o teu olhar e
ao visitar-te, excessivamente te beijei.
Entre temor, entre comas, os lugares
que habito são apenas pontos
de esquecimento e fuga.
Tenho medo, por vezes, de estar em casa,
outras, de sair, não sei o que me persegue
ou persigo, movo-me apenas
por entre odores, escombros, e aflita
com perigos indefiníveis.




Os dias todos assim, 1996,


Biografia


Nasceu na Guarda. Fez estudos de Física e começou a publicar poesia nos anos 80. Depois de uma pausa de 11 anos, volta a publicar com alguma regularidade a partir da segunda metade dos anos 90, propondo uma poesia muito pessoal onde se entrelaçam, com registos do quotidiano, a angústia, a emoção e o desejo.

Obras da autora

1978 Cantos do Silêncio
1980 Fogo Suspenso
1983 Quem não vier do sul
1985 Aromas
1996 Os Dias Todos Assim
2001 Um Fio de Noite
2002 Desrazões
2003 Tumulto
2006 Agora que falamos de morrer



fontes:
Wikipédia
O livro "Cem poemas portugueses"
http://www.arlindo-correia.com/141202.html


PARA OS AMIGOS QUE POR AQUI PASSEM. VOU ESTAR AUSENTE, JÁ QUE O PC VAI HOJE PARA A OFICINA, SEM DATA MARCADA PARA O REGRESSO.

sábado, 18 de julho de 2009

DINA SALÚSTIO


foto DAQUI


ÉRAMOS TU E EU

Éramos eu e tu
Dentro de mim
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos.

Mãos agarradas
Pulsos acariciados
Um afago nas faces.

Éramos tu e eu
Dentro de nós
Suores inundavam os olhos
Alagavam lençóis
Corriam para o mar.
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga.

Éramos tu e eu
Dentro de nós.

As contracções cada vez mais rápidas
O descontrolo
A emoção
A ciência atenta
O oxigénio
A mão amiga
De repente a grande urgência
A Hora
A Violência
Éramos nós libertando-nos de nós.
É nossa a dor.

São nossos o sangue e as águas
O grito é nosso
A vida é tua
O filho é meu.

Os lábios esquecem o riso
Os olhos a luz
O corpo a dor.

A exaustão total
O correr do pano
O fim do parto.


Biografia

Dina Salústio (pseudónimo de Bernardina Oliveira), nasceu em 1941, em Santo Antão, Cabo Verde.
Foi professora, assistente social e jornalista, tendo trabalhado em Cabo Verde, assim como em Portugal e em Angola.
Foi produtora de rádio, dirigindo um programa radiofónico dedicado a assuntos educativos: Gentes, Ideias, Cultura.
Trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros e desempemha, actualmente (2005) o cargo de Conselheira do Ministro da Cultura, em Cabo Verde.
É membro e foi uma das fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-verdianos. É igualmente sócia fundadora das revistas: Mudjer e Ponto & Vírgula; colaborando noutros periódicos: Fragmentos, A Tribuna, Voz di Povo, Montanha, Pré Textos, Revue Noir, A Semana onde se encontra grande parte de seus textos. Tem, pois, colaboração (em prosa e poesia) na imprensa caboverdiana e no estrangeiro.
Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio de Literatura Infantil de Cabo Verde – no mesmo ano em que publicava colectânea de contos, Mornas Eram as Noites – e em 1999 ganhou o 3º Prémio de Literatura Infantil de Cabo Verde, dos PALOP.
Estreou-se no romance com A Louca de Serrano (1998), sendo este considerado o primeiro romance feminino na literatura caboverdiana.
Participou na antologia de poesia cabo-verdiana org. por J. L. H. Almada: Mirabilis de Veias ao Sol (1991) e na colectânea Cabo Verde: Insularidade e Literatura (Paris, Éditions Karthala, 1998), tanto na versão portuguesa como na francesa.


Biografia DAQUI

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ALDA DO ESPIRITO SANTO OU ALDA GRAÇA



foto da net

Avó Mariana

Avó Mariana, lavadeira
dos brancos lá da Fazenda
chegou um dia de terras distantes
com seu pedaço de pano na cintura
e ficou.
Ficou a Avó Mariana
lavando, lavando, lá na roça
pitando seu jessu1
à porta da sanzala
lembrando a viagem dos seus campos de sisal.

Num dia sinistro
p'ra ilha distante
onde a faina de trabalho
apagou a lembrança
dos bois, nos óbitos
lá no Cubal distante.

Avó Mariana chegou
e sentou-se à porta da sanzala2
e pitou seu jessu1
lavando, lavando
numa barreira de silêncio.

Os anos escoaram
lá na terra calcinante.

- "Avó Mariana, Avó Mariana
é a hora de partir.
Vai rever teus campos extensos
de plantações sem fim".

- "Onde é terra di gente?
Velha vem, não volta mais...
Cheguei de muito longe,
anos e mais anos aqui no terreiro...
Velha tonta, já não tem terra
Vou ficar aqui, minino tonto".

Avó Mariana, pitando seu jessu1
na soleira do seu beco escuro,
conta Avó Velhinha
teu fado inglório.
Viver, vegetar
à sombra dum terreiro
tu mesmo Avó minha
não contarás a tua história.

Avó Mariana, velhinha minha,
pitando seu jessu1
na soleira da senzala
nada dirás do teu destino...
Porque cruzaste mares, avó velhinha,
e te quedaste sozinha
pitando teu jessu1?

(É nosso o solo sagrado da terra)

Biografia

Nascida a 30 de Abril de 1926 na cidade de São Tomé, Alda Graça do Espírito Santo, combatente da luta pela independência nacional, instruiu a nova geração pós independência, e pelas suas mãos de poetisa nasceram versos e rimas que sustentam o orgulho da República Democrática fundada em 1975. Uma referência nacional, que rejeita vanglórias e com humildade continua a batalhar pela conquista do progresso do país soberano.

Desde a juventude que Alda Graça do Espírito Santo vive na mesma residência na Chácara, arredores da capital São Tomé. Segundo ela só deixa aquele lugar quando for chamada para o eterno descanso no cemitério do alto São João.

Aos 83 anos, continua lúcida, inteligente, um verdadeiro depósito vivo de saber que continua alimentar gerações de são-tomenses. Foi professor da geração de são-tomenses, que gritou pela independência nacional.

Criou a primeira geração de jornalistas do país, e como poetisa imortalizou o massacre de 1953 no poema TRINDADE, que desde a independência nacional é recitado todos os anos e de forma arrepiante por uma voz feminina.

A poder poético de Alda graça está presente todos os dias, e em todos os momentos de São Tomé e Príncipe. O grito pela independência nacional, a unidade do povo no coro da esperança, é reflectido na letra do hino nacional de que ela é autora.

Membro do Governo de transição, como Ministra da Educação, Alda do Espírito Santo, foi também ministra da informação e cultura. Fez dois mandatos como Presidente da Assembleia Nacional Popular.

Criou a União dos Escritores e Artistas São-tomenses, onde continua a trabalhar na criação de novos valores para cultura literária são-tomense.

“Mataram o rio da minha cidade”, é uma obra de Alda do Espírito Santo, que desperta a atenção dos são-tomenses exactamente para a recuperação da capital e do rio que deu nome a toda a região de Água Grande.

Dados biográficos da autoria de Abel Veiga

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...