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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ANA PAULA INÁCIO

 Dois poemas de  "Vago pressentimento, azul por cima"











a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.
Hoje, abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal.
Olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo.


                ***


Amanhã vou comprar umas calças vermelhas
porque não tenho rigorosamente nada a perder:
contei, um a um, todos os degraus
sei quantas voltas dei à chave,
sublinhei as frases importantes,
aparei os cedros,
fechei em código toda a escrita.

Amanhã comprarei calças vermelhas
fixarei o calendário agrícola
afiarei as facas
ensaiarei um número
abrirei o livro na mesma página
descobrirei alguma pista.

Ana Paula Inácio 


Biografia e poemas daqui
Ana Paula Inácio nasceu no Porto, em 1966. Publicou três livros de poesia - As Vinhas de Meu Pai (Quasi, 2000), Vago Pressentimento Azul Por Cima (Ilhas, 2000), 2010-2011 (Averno, 2011) e um livro de contos - Os Invisíveis (Quasi, 2002). Está representada nas antologias Anos 90 e Agora (Jorge Reis-Sá, Quasi, 2001) e Poetas Sem Qualidades (Manuel de Freitas, Averno, 2002). Vai publicando poema aqui, poema ali, sempre discreta, poeta em fuga, austera, invisível como as suas personagens, pura matéria verbal.

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