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domingo, 11 de maio de 2008

ALDA LARA



(Imagem de Sergio Afonso)

PRESENÇA AFRICANA

E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!... Rua 11!...)
pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
Longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente...

Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!

Benguela 1953



ALDA LARA (Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque. Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962). Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova veio para Lisboa onde concluíu o 7º ano dos liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das actividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI). Figura em: Antologia de poesias angolanas,Nova Lisboa, 1958; amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959; Antologia da terra portuguesa - Angola, Lisboa, s/d (196?)1; Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963; Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963; Mákua 3, idem; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969. Livros póstumos: Poemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de chuva (c), Lobito, 1973
Paulo de Carvalho imortalizou o seu poema, "PRELÚDIO"

8 comentários:

nile santos disse...

Olá amiga.Adorei o comentário,a gente estuda tanto e não sabe de certas coisas.Um feliz dia das mães para voce.bjtos.nile.

Sady Folch disse...

"E apesar de tudo, ainda sou a mesma!...A do amor transbordando...Ainda sou a mesma"
Elvira, esta é a alma que reconheço característica em uma mulher. Dessas que não se deixam vencer. Especialmente nas que transcendem seus limites, que mesmo respeitados ou usurpados, não as impedem de se projetarem em algum ideal, ou por alguém que represente uma necessidade, pois que, assim, renovam-se e permanece nelas a essência da sua existência presente e da lucidez de sua força.

Gostei muito.
Um forte abraço
Sady

Osc@r Luiz disse...

Nossa, Sady por aqui...
Que bacana!
Acho que tanto voce quanto ele só tem a ganhar ao se conhecerem.
Está tudo maravilhoso por aqui também, minha amiga.
Um beijo!

Sonia Regly disse...

Muito bonita a sua homenagemà Cultura Africana.Parabéns!!!Gosto de vir aqui nesse cantinho encantador eágico. Obrigada pela linda visita, sempre será bem-vinda!!!!!

pin gente disse...

com muita força esta bela poesia
e a música (não conhecia) gostei muito também, parabéns

abraço
luísa

Divinius disse...

Post muito bom e linda música...*

Sady Folch disse...

Elvira querida, como disse a você, ontem na sala de aula, eu ouvi os melhores elogios por parte das pessoas a quem indiquei A mulher e a Poesia.
Uma delas, jornalista e escritora de refinados contos eróticos, ficou encantada com a dica.
Quanto a mim, aguardo ansioso por uma nova postagem nestas paragens.
Um beijo grande.
Sady

Maria Clarinda disse...

E aqui tinha que vir...a poetisa que marcou a minha adolescência, e que a minha terra tão bem fez ao instituir um prémio literário com o seu nome. Engraçado, este é um dos meus poemas da Alda Lara que é uma bandeira para mim. Obrigada pelo momento sublime.
Jinhos

P.s. O meu silêncio...é apenas isso silêncio mesmo...não te preocupes amiga, estou por aqui. Jinhos de carinho pelo teu cuidado.

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